Posicionar o paciente é um aspecto essencial da prática da equipe médica e uma responsabilidade do cirurgião e sua equipe.
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| Foto: Eduardo França |
O posicionamento do paciente têm por objetivo facilitar e expor de forma mais adequada o campo cirúrgico, a fim de diminuir o tempo de uma intervenção e, ainda, diminuir os riscos para o paciente que a ela se submete.
O posicionamento adequado do paciente fornece exposição ideal do local da cirurgia e manutenção da dignidade do paciente, controlando a exposição desnecessária.
Escolher uma posição cirúrgica, no entanto, é uma decisão que cabe ao cirurgião que irá executar a cirurgia mas deve também ser analisada junto ao médico anestesista que acompanhará o procedimento.
Uma posição inadequada pode causar dores nas articulações e nos músculos do paciente.
O objetivo final do posicionamento adequado do paciente é protegê-lo de lesões e complicações fisiológicas da imobilidade. Especificamente, os objetivos de posicionamento do paciente incluem:
- Proporcionar conforto e segurança ao paciente. Apoiar as vias aéreas do paciente e manter a circulação durante todo o procedimento. O posicionamento adequado promove conforto ao evitar danos nos nervos e ao evitar a extensão ou rotação desnecessária do corpo.
- Manter a dignidade e a privacidade do paciente. Na cirurgia, o posicionamento adequado é uma forma de respeitar a dignidade do paciente, minimizando a exposição. O paciente pode sentir-se vulnerável no tempo périoperatório.
- Permite máxima visibilidade e acesso. O posicionamento adequado facilita o acesso cirúrgico.
A execução adequada é necessária durante o posicionamento do paciente para evitar lesões no paciente. Lembre-se destes princípios e diretrizes ao posiciona-los:
- Explique o procedimento. Fornecer explicação ao paciente sobre por que sua posição está sendo alterada e como isso será feito. O relacionamento com o paciente irá torná-lo mais propenso a manter a nova posição.
- Incentive-o a ajudar o máximo possível. Determine se o paciente pode ajudar total ou parcialmente. Será também uma maneira de aumentar a confiança e a sua autoestima.
- Obtenha ajuda adequada. Ao planejar mover ou reposiciona-lo, peça ajuda a outros integrantes da equipe. Posicionamento pode não ser uma tarefa de uma pessoa.
- Use ajudas mecânicas. Tábuas de cama, tábuas deslizantes, almofadas, elevadores de pacientes podem facilitar a mudança de posição.
- Levante a cama do paciente. Ajuste ou reposicione a cama do cliente para que o peso fique no nível do centro de gravidade da equipe.
- Mudanças de posição frequentes. Observe que qualquer posição, correta ou incorreta, pode ser prejudicial ao paciente se mantida por um longo período. O reposicionamento do paciente a cada 2 horas ajuda a prevenir complicações como ulceras por pressão e ruptura da pele.
- Evite atrito e cisalhamento. Ao mover o paciente, levante em vez de deslizar para evitar o atrito que pode desgastar a pele, tornando-a mais propensa à ruptura da pele.
- Mecânica corporal adequada. Observe uma boa mecânica corporal para você e a segurança do paciente.
- Posicione-se próximo do paciente. Evite torcer as costas, o pescoço e a pélvis, mantendo-os alinhados. Flexione os joelhos e mantenha os pés afastados. Use seus braços e pernas e não suas costas.
Posição cirúrgica correta reduz riscos!
Os cuidados relacionados às posições cirúrgicas reduzem complicações e riscos relacionados aos procedimentos cirúrgicos que um paciente possa vir a enfrentar.
Isso se dá, sobretudo, porque essas posições cirúrgicas foram desenvolvidas e aprimoradas ao longo do tempo para que a biodinâmica e a ergonomia do paciente sejam respeitadas nos momentos em que seu corpo está anestesiado.
Essas posições cirúrgicas fazem com que o sistema vascular funcione de forma mais efetiva, reduzindo também casos de trombose, edemas e outras complicações relacionadas à má vascularização.
Por fim, quando adotadas de forma correta, as posições cirúrgicas favorecem uma melhor evolução na recuperação do paciente, justamente porque, com elas, reduzimos dores relacionadas à má postura ou agravamento de lesões já existentes.
Assim, é essencial que a equipe cirúrgica sempre esteja preparada para que posições cirúrgicas específicas para cada tipo de intervenção sejam adotadas e, ainda, munidas de coxins ou panos cirúrgicos estéreis para que o paciente sempre fique bem acomodado.
"Dra. Carolina Monteiro" Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio. Especializou-se em Pediatria e posteriormente em Neonatologia.
