COMPONENTE ACETABULAR NÃO CIMENTADO Técnica Cirúrgica

COMPONENTE ACETABULAR NÃO CIMENTADO MR-11 II - Técnica Cirúrgica.

As cirurgias de artroplastias de substituição total do quadril tiveram seu grande avanço tecnológico a partir do final da década de cinquenta com Sir John Charnley, que desenvolveu o conceito das próteses articulares confeccionadas em material polimérico e o componente femoral em ligas metálicas, ambos fixados com o uso do polimetilmetacrilato. 

Devido aos insucessos iniciais principalmente em pacientes jovens, novos implantes foram desenvolvidos, principalmente nos quesitos de fixação, design e diferentes tipos de ligas na confecção dos mesmos. 

Componente acetabular


Os implantes ortopédicos metálicos de fixação biológica, revestidos com porous coating tiveram o inicio da aplicação no meio ortopédico no final da década de sessenta e inicio de setenta. 

A porosidade e a geometria dos implantes ortopédicos são dois pontos fundamentais para que ocorra uma estabilidade mecânica inicial, proporcionando então as condições ideais para a osseointegração e fixação biológica do componente. 

Durante a evolução dos componentes acetabulares não cimentados, vários desenhos de implantes foram utilizados na tentativa da busca do implante ideal. O componente acetabular esférico, apesar de geralmente necessitar do auxilio de parafusos ósseos para obter a  fixação imediata, apresenta como grandes vantagens a necessidade de pequena remoção óssea, facilidade na adaptação a cavidade acetabular e distribuição homogênea de carga. 

Seguindo os conceitos supracitados e baseado nos mais recente resultados divulgados em literaturas específicas, a Baumer S.A. apresenta o  “Componente Acetabular não Cimentado MR11-II”. O Componente Acetabular não Cimentado MR11II está disponível nas versões com 1 Furo ( para Acetábulos de  Ø 40, 42 ,44, 46mm) e com 4 Furos ( para Acetábulos de Ø 48 a Ø 70 mm ), fabricado em Titânio conforme normas ASTM F.67. 

A superfície externa recebe aplicação de uma camada de Plasma Porous, com a finalidade de tornar a superfície rugosa, com o objetivo de otimizar a ósseointegração e fixação biológica do componente. 

Para fixação mecânica do Acetábulo não Cimentado MR11-II, são utilizados Parafusos ósseos com perfil esponjosos com Ø4,5 e comprimentos de 15, 20, 25, 30, 35, e 40mm, Ø5,5 e 6,5mm e comprimentos de 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45, 50, 55, 60, 65, 70mm. 

Componente Acetabular de Polietileno está disponível para cabeças femorais de Ø 22,25 - Ø 26,0, Ø 28,0 e Ø 32,0mm, e é fabricado em Polietileno de Ultra Alto Peso Molecular UHMWPE ASTMF 648. Possui ainda um rebordo de 10º de inclinação, com o objetivo de propiciar uma maior estabilidade da articulação protética. 

Pesquisas bibliográficas realizadas em artigo técnico comprovam a eficácia e a segurança da aplicação do plasma pouros e o ganho com a integração óssea na interface com o implante melhorando a adesão e fixação do Componente Acetabular não Cimentado MR11-II.

Vantagens e beneficios 

Superfície altamente rugosa que proporciona a otimização da osteointegração e fixação do componente. 

- 12 Chavetas cônicas para encaixe do componente metálico e polietileno com travamento e fixação através de press-fit; evitando assim, micromovimentos e debris poliméricos. 

- Componente metálico nas versões sem furos, 01 furo e 04 furos. 

- Núcleo acetabular disponível em duas versões standard (sem reborda) e displástica (com reborba de 10 º de inclinação) para evitar possiveis luxações. 

- Parafusos tampão metálicos com finalidade de serem rosqueados, evitando o contato entre o núcleo de polietileno e o osso.

Raio-X  

Pré-operatório A medida dos implantes a serem utilizados é definida no pré-operatório, utilizando-se o exame radiográfico de quadril centrado na sínfise púbica, a uma distância de cerca de um metro de altura da ampola do aparelho radiográfico. 

Para se obter uma boa área de extensão da cavidade acetabular e diáfise do fêmur, é importante que neste exame se exclua as cristas ilíacas.

Templates 

Com a utilização de templates (transparências), que representam o perfil externo do acetábulo, com o desenho do componente acetabular metálico, pode-se então determinar a escolha das fresas acetabulares, testes e próteses definitivas.

Via de Acesso 

Após a exposição da região acetabular, pela via de acesso de acordo com a escolha do cirurgião, toda a região do lábio acetabular deve ser removida, para melhor visualização da borda óssea e da área a ser fresada. 

A região acetabular, no ponto de inserção do ligamento da cabeça femoral, deve ser exposta para que seja regularizada antes do inicio da fresagem, proporcionando assim uma superfície uniforme.

1. Fresagem da Cavidade Acetabular 

Retire a cartilagem e inicie a preparação do cótilo, mantendo uma inclinação lateral de 45o (10o) e uma antiversão de 10o, até obter a exposição do osso subcondral, com o cuidado de preservar a parede lateral e a coluna anterior e posterior. 

Ultilizar a sequência inferior de medida da fresa RL.2.Ref. até atingir o tamanho escolhido. Nota – Pela sua geometria e revestimento, o acetábulo pode ser alojado sem a utilização dos parafusos, por impacção absoluta (“Press Fit”). “Para tanto o leito ósseo acetabular, com a exposição do tecido esponjoso deverá ser adequadamente preparado com fresagens progressivas, com a diferença de no máximo de 2 mm entre o diâmetro da fresa e do componente metálico”. 

Fresagem da cavidade acetabular


Mesmo com a impacção adequada, há cirurgiões que optam pela utilização do parafuso, devido à atividade do paciente ou mesmo a qualidade do osso. 
Observação: Frese o cótilo até sangrar o osso subcondral.

2. Teste do Acetábulo Metálico (Opcional) 

Após a fresagem usar o teste metálico, definir o núcleo acetabular, usar os testes de polietileno para definição. Observação: Caixa de instrumental do teste metálico vide catalogo Baumer.

Montagem do Posicionador no acetábulo 

Passo 1 - Após a definição do tamanho do implante, selecione o anel compatível com o implante definitivo, (vide a tabela abaixo).



 

Impactor acetabular


Passo 2 - Após a definição do anel, coloca-lo no posicionador (IP.94.A) e rosquear o acetábulo metálico definitivo no posicionador (IP.94.A). 

Passo 3 - Ajuste o anel (IP.91.REf.) nas aletas do acetábulo metálico (347.A.Ref.) definitivo e rosquear até obter o aperto final. Nota: Durante a impacção pode ocorrer afrouxamento do componente definitivo com o posicionador. Caso ocorra, faça o aperto das roldanas com o pino (Disponível da Caixa de Instrumental).

3. Posicionamento do Acetábulo 

Rosqueie o acetábulo metálico MR11-II definitivo no posicionador IP.94.A. Certifique o correto encaixe e aperto entre o posicionador e o acetábulo e anel. 

Posicionamento do acetabulo



Posicione-o na cavidade com anteversão de 10º, deixando a haste móvel a 90º em relação a base da mesa cirúrgica. Posicione o acetábulo MR11-II com angulação de 45º, deixando as hastes fixas paralelas a lateral da mesa.

4. Impactação 

Após posicionamento, impacte o acetábulo, em caso de soltura (afroxamento) do posicionador do anel, trave-o com os pinos nos orificios das roldanas. 
Retire o posicionador IP.94.A e faça a impactação final com o Impactor IP.52.
Visualização do acetábulo impactado e posicionado na cavidade acetabular.

5. Iniciador 

Utilize o Iniciador 6268 para realizar os furos que serão colocados os parafusos esponjosos. Caso contrário, mantenha os parafusos tampão para que não haja crescimento na interface metal/polietileno.

Iniciador acetabular



6. Perfuração 
Se necessário, faça a perfuração com a broca flexível BR.3.32 Ø3,2 mm, com o auxílio do guia de broca GS.70.B. Nota: Nunca utilize anti-versão durante a perfuração isso pode danificar a broca flexivel.




7. Medidor de Profundidade 
Com o medidor de profundidade ME.18, defina o comprimento do parafuso ósseo a ser utilizado.






8. Colocação do Parafuso 

O parafuso ósseo pode ser colocado com o auxilio do guia para parafusos GS.70.P, em conjunto com os modelos de chaves  (Reta, Cardã, Angulada).
Chave Reta Segure o parafuso com a pinça 8061 ou com o guia  GS.70.P e rosqueie com a chave reta CH.55.




Chave Angular Segure o parafuso com a pinça 8061 ou com o guia  GS.70.P e rosqueie com a chave angular 6267.




Chave Cardã Segure o parafuso com a pinça 8061 ou com o guia  GS.70.P e rosqueie com a Ccave cardã 6266.




Parafuso Ósseo Colocado Atenção: 

Certifique que a cabeça do parafuso esteja totalmente embutida no acetábulo metálico.

Acetabulo parafusado



9. Teste (opcional)

Coloque o teste acetabular TT.36.A.Ref.(Oo) ou TT.36.B.Ref. (10o) correspondente ao acetábulo metálico. Verifique a inclinação correta para um bom posicionamento do acetábulo de polietileno definitivo. 




Faça a redução e em seguida realize os movimentos necessários para verificar se estão corretos o posicionamento do acetábulo e a altura da cabeça femoral.

10. Colocação do Componente de Polietileno definitivo. 

Observação: Com o objetivo de facilitar a identificação do componente acetabular de polietileno definitivo, existe na etiqueta externa do produto, um código de cores, relacionado com o acetábulo metálico correspondente. 

Coloque o componente núcleo de polietileno verificando o correto posicionamento da inclinação e do encaixe.

Colocação do Componente de Polietileno definitivo



Faça a redução e em seguida realize os movimentos necessários para verificar se estão corretos o posicionamento do acetábulo e a altura da cabeça femoral.

11. Impactação do Polietileno 
Utilize o impactor IP.41.Ref. com Ø22, Ø26 ou Ø28mm para impactar de forma definitiva o componente de polietileno.








Esta técnica cirúrgica foi desenvolvida por Ditec  
Divisão de Tecnologia e Marketing da Baumer Rev. 0.002 - 13/01/2014


Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato